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Reflexões sobre a pandemia e o planejamento público

"Ninguém trabalha sem saúde e vida, mas também não vive e nem tem saúde sem comer"

Por Mariana Araujo Pedro / Nós do Cabo. em 21/12/2020 às 09:14:19
Foto: Money Times.

Foto: Money Times.

Nunca fomos tão responsáveis pela vida alheia quanto durante esta pandemia. É claro que a sociedade sempre foi corresponsável pelas ações da gestão pública, pois afinal esse é o grande papel da sociedade, exercer a sua cidadania na individualidade da pessoa humana, sempre atento também ao respeito à coletividade.


Durante esses meses o acesso e volume das informações foi assustador, cada hora uma informação diferente, algumas que alarmavam, outras que tranquilizavam. Tivemos contato com notícias que agregaram, mas também com algumas que, pelo caráter inverídico, confundiram a população. Mas diante desse mar de informações, uma coisa é certa, todos estamos de certa forma em alguma linha de risco diante da questão pandêmica.

Muito se falou que após as eleições, quando inúmeras pessoas foram às ruas, durante as campanhas, o número de casos aumentou. De fato, os números mostram isso, mas a questão não foi o processo eleitoral em si, mas a forma de fazer, que colocou em risco muitas pessoas, evidenciando uma falta de controle e planejamento do poder público.

O tempo é de se reinventar e de preservar a vida. A doença não escolhe profissão, sexo, raça, ela apenas chega, a alguém que por algum pequeno ou grande descuido, a contraiu. Muitos a vencem após grande luta, outros a têm sem nem sequer saber, não apresentando sintoma, e outros perdem a vida em decorrência da doença. Cada um de nós conhece com certeza alguém que perdeu a vida em decorrência da Covid-19 e sentimos a dor e a força de uma doença que continua circulando as nossas cidades. Cabe a nós refletir sobre a nossa responsabilidade social nisso tudo. Nessa linha de contágio invisível, mas que é previsível quais foram as medidas efetivas implementadas pelo poder público?

Muitas empresas adotaram o home office, outras continuam na medida do possível com suas tarefas diárias, mas o setor turístico, sem dúvidas foi o que mais padeceu e padece, com as incertezas que advém da pandemia.

E é nessa hora que paramos para pensar na importância de um bom planejamento público. Dava para prever a pandemia? Acredito que não, mas sempre dá para fazer um planejamento com base em alguns riscos e reservar alguns recursos e métodos de enfrentamento às questões que surgem nas cidades. Dá também para articular junto aos setores e pensar com eles as melhores formas de guardar a vida e atender na medida do possível as suas necessidades. O que não dá é para fingir que cuida da saúde, enquanto finge que dá conta do turismo, e aí, temos o caos instaurado, onde "tudo está bom, e nada presta".

Eu particularmente, acho muito difícil conciliar as atividades turísticas com o enfrentamento a uma pandemia, mas é papel do poder público gerir a situação e garantir a segurança sanitária adequada a superação da doença, bem como dar o devido suporte ao setor que é um dos que mais movimenta recursos, principalmente, nas cidades da Região dos Lagos.

"Ninguém trabalha sem saúde e vida, mas também não vive e nem tem saúde sem comer" – Essa é a questão que mais aflige os munícipes que dependem do turismo. Essa é uma questão urgente desde março, e que deveria ter contado com um pouco mais de zelo dos governantes para que o planejamento pudesse ser pautado na segurança sanitária e econômica, mas o que vemos é um poder público perdido e a população frustrada com a falta de gestão eficiente das cidades.


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